8 de março de 2007

Jovens investigam Grande Assalto

As noites de 6a feira no Pavilhão do Conhecimento vão passar a ser diferentes. Investigadores de palmo e meio deixam a cama para mais tarde e procuram descobrir em menos de 5 horas o que de estranho se passou por ali.

Já se imaginou num museu durante a noite? E se a normal tranquilidade deste espaço durante este período fosse interrompida por um roubo? Calculo que chamasse a polícia para descobrir o que se passa... Ora é este o mote para a 2ª edição da iniciativa “Um Crime no Museu”, que começa esta noite no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa.

Esta iniciativa, destinada a jovens entre os 9 e os 14 anos, promete muita animação e uma noite no mínimo diferente. O projecto tem a particularidade de se passar num espaço normalmente fechado ao público durante a noite – costumam encerrar às 18h00 durante a semana, e ao fim-de-semana às 19h00 – o que só por si, como refere Catarina Figueira, do Pavilhão do Conhecimento, «já contribui para uma atmosfera de mistério».

Desta vez o enigma é, naturalmente, outro – o ano passado foi um homicídio - mas o suspense e o rigor cientifico mantêm-se. «Para esta actividades tivemos consultoria e colaboração da Polícia Judiciária», explica Catarina Figueira. Tudo isto faz com que a experiência pareça ainda mais real. A história vai repetir-se todas as sextas-feiras e os participantes vão poder viver experiências dignas de qualquer episódio da série CSI – Crime sob Investigação, ou, a nível nacional, de Max, o cão Polícia.

Sem podermos levantar muito o véu sobre o que se vai passar – para não quebrar o mistério – podemos apenas adiantar que desta vez o Museu vai ser alvo de um grande assalto e que a pequena equipa de cientistas forenses terá de descobrir o ladrão e -lo atrás das grades em menos de cinco horas.

Constatado o roubo, os investigadores de palmo e meio vão encontrar pistas que apontam em diferentes sentidos. A ciência e a tecnologia são os instrumentos principais que vão ter de usar para recolher e analisar todas as pistas deixadas pelo ladrão (ou ladrões). Gravações com vozes distorcidas, análises de ADN, recolha de impressões digitais e raciocínio lógico serão elementos decisivos ao longo da investigação para finalmente descobrir quem é afinal o culpado ou, quem sabe, culpados deste assalto.

Ao longo de toda esta aventura, entre as 19h30 e as 24h00, as crianças são sempre acompanhadas por monitores do pavilhão com formação especializada.

Na 1ª edição de “Um Crime no Museu” o balanço foi, segundo Catarina Figueira, «claramente positivo» e teve uma «afluência muito boa».

Para este ano a equipa de cientistas forenses do Pavilhão do Conhecimento ainda tem vagas para outros recrutas que queiram colaborar na investigação deste caso. Os candidatos devem ter muita perspicácia e podem inscrever-se por telefone (218917100) ou por e-mail (
info@pavconhecimento.pt).

A participação nesta aventura tem um custo de 35 euros (ou 30 euros, para sócios do Pavilhão do Conhecimento) e já inclui o jantar dos pequenos investigadores deste grande assalto.

O lado lúdico da Matemática

Alunos de todo o país, ilhas incluídas, estão amanhã reunidos no Palácio D. Manuel, em Évora, para “brincar” com a Matemática no 3º Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos.


Amanhã, durante todo o dia 950 alunos vão ter a possibilidade de pôr em prática o outro lado da matemática. As actividades centram-se na parte cultural e recreativa desta área e não no aspecto curricular da disciplina. Ainda assim é inegável que a matemática está por trás destes jogos que ajudam a desenvolver as capacidades de raciocínio e estratégia dos participantes. O objectivo é proporcionar a todos os participantes «treino mental, actividades intelectuais e lúdicas», explica Jorge Nuno Silva, da Associação Ludus, responsável pela organização do jogos.

Depois de nas próprias escolas os alunos terem competido por um lugar neste campeonato, amanhã a partir das 10 horas enfrentam as eliminatórias no Palácio D. Manuel, em Évora. Divididos em quatro categorias correspondentes aos três ciclos do ensino básico e ao ensino secundário os alunos vão competir em 6 jogos – Semáforo, Amazonas, Hex, Ouri, Go e Pontos e Quadrados – sendo que em cada jogo as escola só podem ser representadas por uma criança por escalão etário.

Ficarão apurados para a final – que decorrerá da parte da tarde - os dois primeiros alunos em cada torneio, podendo ainda ser repescados o 3º e 4º classificados.

No final do dia ninguém sairá de Évora de mãos a abanar uma vez que todos os participantes neste Campeonato vão receber livros. Mas este não é o único prémio. Cada campeão levará para casa um computador portátil, os segundos classificados recebem uma máquina fotográfica e quem ficar em terceiro lugar tem direito a um leitor MP3. Segundo Jorge Nuno Silva, a organização procura conseguir sempre «bons prémios» porque consideram que «alunos se esforçam e merecem esta recompensa».

E esta estratégia de «aprender jogando» parece já ser uma aposta ganha para a organização. Criado a partir de uma iniciativa de amigos «que foi bem sucedida», recorda Jorge Nuno Silva, o primeiro Campeonato ocorreu em 2004, no Pavilhão do Conhecimento, e foi desde logo um sucesso.

A receptividade das escolas e dos próprios alunos tem sido muito boa e, de ano para ano, há cada vez mais escolas a participar. Amanhã, por exemplo, o campeonato vai receber alunos de uma escola dos Açores. «Não existindo qualquer subsidio para as escolas participantes» - a única “ajuda” da organização é uma merenda, entre as 12h e as 14h, que inclui uma sandes de queijo, uma sandes de fiambre, duas peças de fruta, um sumo e duas águas -, como sublinha Jorge Nuno Silva, este facto já representa bem a expansão dos jogos e do campeonato.

A par do Campeonato os alunos podem ainda participar em outras actividades ao longo do dia que prometem muita animação.

Exclusivamente para os alunos do 1º ciclo estarão a decorrer diversas actividades nas ruínas do Jardim Público, organizadas por alunas do curso de Psicologia da Universidade de Évora. Para os mais crescidos a organização preparou a Exposição “Matemática em Jogo” no Mercado Municipal, junto ao Palácio D. Manuel, e o Departamento de Desporto da Universidade de Évora convida todos os presentes a participar num Peddy paper que procura dar a conhecer a cidade de Évora, e em aulas de aeróbica a decorrer no Jardim Municipal junto ao Palácio D. Manuel.

A 3ª edição do Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos tem a colaboração da Associação Professores de Matemática, Associação Ludos, Ciência Viva, Sociedade Portuguesa de Matemática, Universidade de Évora e Câmara Municipal de Évora.

Para o ano os jogos matemáticos prometem regressar. Até lá miúdos e graúdos podem partir à descoberta desta lado lúdico da disciplina e perceber que a matemática não precisa de ser «um bicho de sete cabeças». Durante todo o ano a Associação Ludus desenvolve várias actividades que têm como objectivo fazer chegar a matemática a toda a família, promovendo e divulgando a Matemática Recreativa nas suas diversas vertentes, nomeadamente pedagógica, cultural, histórica e competitiva.

Mais informações:
http://ludicum.org/



7 de março de 2007

À Caça das estrelas

Alunos do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário podem participar em projectos de investigação científica. A Escola Secundária Cidadela é o primeiro estabelecimento de ensino a juntar-se a este projecto. O Educare.pt foi assistir a uma sessão.

Pouco depois das 10 horas os alunos do 12ºA começam a chegar a uma sala rodeada por planetas, estrelas, constelações, luas e réplicas do sistema solar. Aqui tudo cheira a astronomia. E não é de estranhar porque, afinal, como se pode ler na porta, este é o cantinho do Núcleo de Investigação de Astronomia da Escola Secundária Cidadela. Desta vez, é nesta a sala que, os 12 alunos, divididos em grupos de três, vão andar à descoberta de Estrelas O, no âmbito do projecto “Caçar enxames estelares ao redor das estrelas O”, proposto pelo Investigador André Moitinho, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Entram, sentam-se, ligam os computadores e começam a trabalhar sem ninguém lhes dizer mais nada. Já todos sabem o que há a fazer. À mínima descoberta ou em caso de alguma dúvida chamam as docentes que acompanham o projecto. Por esta altura os alunos já revelam poucas dúvidas mas vibram com as descobertas. A comprová-lo está o entusiasmo de um grupo que durante a sessão “descobriu” uma galáxia na imagem que estava a analisar. Não sabem se já está identificada mas têm esperança que não....

Durante a sessão procura-se no catálogo de Estrelas O – disponibilizado online pelo investigador Jesus Maiz - imagens para análise, confirma-se dados sobre os objectos que aparecem, seleccionam-se pedaços da imagem de possíveis enxames - «sem a estrela O, porque é muito brilhante e satura o CCD do telescópio», explica Rosa Doran, do Núcleo Interactivo de Astronomia (NUCLIO) – para serem visualizados através do telescópio. Através do Planetário Virtual confirma-se se as coordenadas assinaladas estão visíveis nesta altura do ano e, se o tempo ajudar, é então possível observá-las, através do telescópio Faulkes, localizado no Hawai.

Este telescópio é operado remotamente via Internet e permite que as escolas em Portugal observem o céu nocturno a partir da sala de aula, durante o dia. Desta vez, apesar da lua estar muito brilhante e o céu um pouco nublado, os alunos do 12º A tiveram sorte e, durante sensivelmente uma hora, e em tempo real, conseguiram visualizar as imagens correspondentes às coordenadas seleccionadas.

A este processo junta-se depois uma fotometria – medir o brilho das estrelas – que lhes vai permitir fazer um gráfico e confirmar se há ou não um enxame estelar. Se se comprovar a existência de um enxame estelar ao redor das Estrelas O será escrito e publicado um artigo cientifico.

Ao longo do trabalho os alunos são ainda responsáveis pela construção de um glossário sobre os conteúdos que têm vindo a aprender. Daqui nascerá um jogo que será integrado noutro projecto do NUCLIO, desenvolvido com a Caspian Learning Resources e integrado num método inovador de ensino integrado no ambiente de um jogo, o Thinking Worlds. Para já a implantação deste projecto na Escola Secundária Cidadela funciona quase como um teste, para que depois, aquando da sua expansão, e só com o próprio professor da turma, tudo corra bem.

André Pinto, um dos alunos envolvidos no trabalho acha «o projecto inovador, interessante e apelativo» e até já olha para o céu «de maneira diferente». Por tudo isto, André defende que iniciativas destas devem ser implantadas noutras escolas do país. Neste sentido, Leonor Cabral, professora do 12ºA e responsável pelo Clube de Astronomia, adianta que em Leiria «já há um professor interessado em integrar este trabalho também na área de projecto».

A área de investigação é Astronomia e a Astrofísica mas mais do que seduzir os estudantes para esta área profissional esta é uma oportunidade para, aplicando o conteúdo dos programas escolares, «os alunos perceberem para que é que serve aquilo que andam a estudar», refere Rosa Doran, do NUCLIO, e, ao mesmo tempo aprenderem a trabalhar com as novas tecnologias.

Quem acompanhar estas sessões de 90 minutos, às 2ª e 3ª feira de manhã, reconhece no projecto outra importante característica: os alunos ficam rendidos. Quando o projecto foi apresentado, Rosa Doran não viu grande animo nestes alunos. Mas agora é diferente. «O entusiasmo foi crescendo e estão completamente rendidos» comenta Rosa Doran. Leonor Cabral, adianta que já no ano passado houve duas turmas que participaram em projectos do NUCLIO e que «tem sempre havido grande receptividade dos alunos.

Outros projectos

O NUCLIO tem ainda propostos mais quatro projectos científicos onde escolas do 3º ciclo e do ensino secundário podem participar: “Desvendar os mistérios da Galáxia Activa Mrk 348”, supervisionado por Sónia António (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa); “Acompanhamento de binários de Raios-X”, supervisionado por Cristina Zurita (Instituto de Astronomia da UNAM) e Rosa Doran (NUCLIO),”Identificar crateras em Marte” com o apoio do especialista em geologia planetário do Instituto Superior Técnico, José Saraiva e “Acompanhamento de supernovas”, em colaboração com a Polónia, supervisionado por Maria Luísa Almeida (NUCLIO).

Desenvolvido pelo NUCLIO, e com o apoio do British Council e do Faulkes Telescope Project, a iniciativa Astronomia Profissional nas Escolas surge como parceiro do Hands-On Universe, Europe, um projecto europeu que tem como objectivo renovar o ensino das Ciências recorrendo à Astronomia e à utilização das novas Tecnologias de Informação e cujo conceito pedagógico é a utilização prática de dados astronómicos reais na sala de aula.

O NUCLIO garante todo o apoio necessário durante a execução dos projectos e os professores envolvidos recebem formação sobre a utilização dos Telescópios Faulkes e sobre as ferramentas necessárias à execução do projecto.
A iniciativa é apresentada publicamente dia 28, às 19 horas, no British Council, em Lisboa. Entretanto as escolas e os professores interessados em participar neste projecto poderão entrar em contacto como o NUCLIO e assistir à respectiva formação já dia 17.

Mais informações:
www.nuclio.pt
www.pt.euhou.net
http://faulkes-telescope.com/

5 de março de 2007

Concurso para professor titular sem acordo

Começou hoje a última ronda negocial entre as estruturas sindicais e o ministério da Educação. Apesar de algumas alterações à proposta inicial as criticas continuam.


Apesar de no inicio da reunião de hoje o Ministério da Educação (ME) ter apresentado uma nova proposta com algumas especificações a Federação Nacional dos sindicatos da Educação (FNE) fez saber que está indisponível para concordar com a proposta da tutela.

Lucinda Dâmaso, da FNE, reconhece que depois de três rondas negociais os sindicatos já conseguiram algumas vitórias, que se reflectem nas alterações introduzidas pela tutela na proposta para acesso à categoria de professor titular – os itens de ponderação foram aumentados, o exercício do cargo de director de turma passou a ser classificados com 2 pontos, a classificação necessária para a aprovação do professor no concurso passou de 120 para 95 pontos – mas estas são insuficientes. Segundo, João Dias da Silva a proposta do ministério «ainda fica aquém do cumprimento da lei, pelo que continua a não haver condições para a existência de qualquer acordo [com os sindicatos] nesta matéria».

Além da assiduidade, o acesso à categoria de titular depende ainda de outros critérios como a habilitação académica, a avaliação de desempenho e a experiência profissional, incluindo o exercício de cargos de coordenação e gestão. Neste ponto, o ME aceitou contabilizar o desempenho do cargo de director de turma, mas mantém que a experiência profissional dos candidatos só é considerada nos últimos sete anos e não ao longo de toda a carreira.

«Não podemos permitir que só sejam avaliados os últimos sete anos de carreira e sejam privilegiados os cargos de liderança», contesta Lucinda Dâmaso. Para a responsável da FNE, o concurso deveria ter em consideração todos os anos de carreira do docente em causa e todos os cargos exercidos, quer fossem ou não funções de liderança, caso contrário, acredita, corre-se o risco de se estar a subverter o papel dos professores.

Para o ME o facto de serem avaliados unicamente os últimos sete anos de carreira visa garantir a valorização da experiência recente mais relevante, num concurso ao qual poderão apresentar-se mais de 60 mil candidatos e onde, justifica a tutela, «é necessário reduzir ao mínimo as margens de subjectividade».

A questão da assiduidade foi mais uma vez abordada garantindo o ME que as faltas de maternidade, paternidade, bem como para formação não serão tidas em conta para a pontuação no concurso de professor titular.
A nova proposta do ME reflecte isso mesmo e já não penaliza as faltas e licenças por maternidade, paternidade, greve ou actividade sindical. Contudo, para a FNE, isto não é um recuo por parte do ME mas sim «uma questão de pura legalidade». Ainda assim, a federação afecta à UGT continua a classificar de «inaceitável e ilegal» penalização de outras faltas justificadas como aquelas que forem dadas por motivos de doença ou morte de familiar.


No novo documento, a tutela reviu ainda a ponderação atribuída ao factor assiduidade - que continua a ser um dos principais critérios de selecção - estipulando uma nova pontuação para as faltas, depois da polémica criada em torno da anterior proposta, que era mais penalizadora. Assim, em cada um dos cinco anos lectivos em análise, se o candidato tiver dado até oito faltas é classificado com sete pontos, se tiver faltado entre 9 e 14 vezes é classificado com cinco, entre 15 e 19 tem uma pontuação de quatro e com vinte ou mais faltas tem apenas um ponto.

Um candidato com faltas injustificadas tem automaticamente zero pontos na assiduidade, o que, na anterior versão, acontecia a qualquer professor com mais de nove ausências, mesmo que tivessem sido justificadas.
Apesar de ser revista de forma mais favorável a pontuação dada a cada critério, com esta última proposta, a classificação obtida pelos candidatos (no caso dos professores do 8º e 9 º escalões) continua a não ser suficiente para o acesso a titular, já que há quotas estabelecidas para esta categoria, a que só poderão pertencer um terço dos docentes de cada agrupamento de escolas.

No entanto, o ministério salienta que não ficarão preenchidos, para já, todos os lugares correspondentes a essa quota, uma vez que se trata do primeiro processo de recrutamento para professor titular. Segundo a tutela «os professores que sejam candidatos a este concurso e não obtenham provimento terão seguramente oportunidade de se apresentar a futuros concursos».

A negociação com os sindicatos, sobre esta matéria deverá ficar concluída amanhã. No entanto, a FNE pondera ainda accionar o mecanismo de negociação suplementar, tal como os sindicatos fizeram no caso do Estatuto da Carreira Docente, publicado em Diário da República a 19 de Janeiro.

Segundo Lucinda Dâmaso o ME já garantiu que não vai fazer mais reuniões sobre esta matéria por isso a FNE receia agora que o próximo passo seja a «publicação imposta» do diploma, sem qualquer acordo com os sindicatos. Se assim for a FNE irá ponderar sobre que medidas irá tomar. Anteriormente, a Federação Nacional dos Professores já acusou o ME de demonstrar «pouca flexibilidade», chegando mesmo a apelar à contestação dos próprios professores em futuras acções para combater a proposta apresentada.

2 de março de 2007

Escolas do futuro com investimento de 4 milhões de euros em Gaia

O objectivo é dotar todas as escolas do 1º ciclo do ensino básico do concelho com as mais modernas plataformas tecnológicas para a Educação.


A partir desta semana as aulas da escola Escola EB1 do Outeiro, em Oliveira do Douro, vão ser diferentes. Aos quadros negros e ao giz juntam-se agora, distribuídos pelas várias salas de aula, quadros interactivos que, na opinião de Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, trazem “uma grande revolução no ensino e alterará, de forma decisiva, todo o processo educacional".

Um quadro interactivo é uma quadro sensível ao toque ligado a um computador que permite que o utilizador controle o computador ao tocar no quadro. Pode ser utilizado de forma similar ao vulgar quadro de ardósia mas permite desenvolver as aulas utilizando uma variedade de conteúdos multimédia, incluindo imagens, apresentações, filmes, Internet e sons, tornando-se assim numa ferramenta capaz de criar espaços de aprendizagem entusiasmantes e seduzir crianças e jovens de todas as idades e capacidades.

São já quatro as escolas de Gaia que contam com este equipamento e vivem esta experiência todos os dias e outras se seguirão. O Município de Vila Nova de Gaia vai investir, ao longo dos próximos três anos, cerca de quatro milhões de euros no âmbito do projecto “Escola do Séc. XXI – Escola Virtual”, que visa apetrechar todas as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Concelho com as mais modernas plataformas tecnológicas para a Educação, tornando-as “Escolas Virtuais”.

Devesas, Vila Chã, Portelinha e Outeiro representam um total de dez por cento da população escolar que têm já acesso aos novos equipamentos pedagógicos prevendo-se que, dentro de um ano existam trinta escolas totalmente equipadas.

De acordo com Luís Filipe Menezes, Gaia é o primeiro Município do País a implementar este projecto de carácter pedagógico nas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, mas, apesar disso, referiu o autarca, existe um grande problema adjacente à implementação deste projecto: «Quando os alunos transitarem para o 2.º ciclo, sentirão com toda a certeza a falta desta qualidade de ensino».

A Escola Virtual é um projecto educacional da Porto Editora que introduz um modelo de aprendizagem inovador, orientado para o sucesso escolar dos estudantes, que apresenta todos os conteúdos programáticos de cada uma das disciplinas nucleares, recorrendo à integração de recursos multimédia que tornam a aprendizagem num processo activo, no qual o aluno aprende ao seu próprio ritmo e de uma forma flexível.

A implementação da Escola Virtual requer um investimento que ronda os 10 mil euros por sala de aula e é um projecto que acolhe já o reconhecimento e a satisfação de toda uma comunidade escolar.


Editora lança Linha de Rigor para Manuais

Serviço permite que professores, alunos e pais apresentem eventuais incorrecções ou imprecisões presentes nas edições escolares.


Criada pela Porto Editora, a Linha de Rigor foi definida tendo como modelo serviços similares existentes em países com sistemas educativos mais avançados, como os Estados Unidos ou a Finlândia, e passa agora a estar disponível para todos os interessados em
www.portoeditora.pt/linhaderigor.

Este serviço, inédito em Portugal, mas que em breve será seguido por outros editores da Associação Portuguesa de Editores de Livreiros (APEL) foi criado com o objectivo de permitir que professores, alunos, pais, encarregados de educação e público em geral comuniquem à editora eventuais incorrecções ou imprecisões que encontrem nas suas edições escolares.

Apoiada pela Comissão do Livro Escolar da APEL, a Porto Editora pretende também com esta iniciativa assegurar uma comunicação mais directa e transparente entre quem produz os livros e quem os utiliza.

Através de um formulário online o utilizador deverá identificar a obra em causa e descrever o eventual erro ou defeito, podendo inclusive anexar um ficheiro que comprove a ocorrência. Toda essa informação é automaticamente enviada para a Direcção Editorial para ser analisada com os autores do manual em causa e os editores da respectiva área disciplinar e as conclusões serão depois transmitidas ao utilizador.

Se se confirmar a existência do erro ou defeito, a Porto Editora garante a correcção e a revisão em futuras reimpressões ou, em casos graves, a impressão e distribuição imediata de erratas.

A página da Linha de Rigor permite também visualizar uma animação multimédia que descreve as diferentes etapas de concepção de um manual escolar - desde a definição dos conteúdos até à sua utilização em sala de aula – e esclarecer algumas questões mais frequentes sobre os livros escolares.


1 de março de 2007

«Agressões a professores têm de ser crime público»

Em cada dia de aulas registam-se, em média, duas agressões a professores nas escolas portuguesas. Os resultados apresentados pelo Observatório de Segurança Escolar não são animadores. Para a FNE esta é uma realidade considerada "inaceitável".

Para combater o crescente número de agressões a docentes e não docentes a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) propõe uma alteração legislativa que transforme estas agressões em crimes públicos, como já acontece em situação de agressão a agentes da autoridade e, mais recentemente, em casos de violência doméstica.

Se estas agressões forem classificadas como crime público, a abertura do processo é accionada pelo próprio Ministério Público, assim que tenha conhecimento do caso, mesmo que a vítima não apresente queixa. Desta forma, como a queixa não tem de ser feita pelo docente «evita-se que o professor receba represálias», explicou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, na conferência da I Cimeira Sindical dos Sindicatos da Educação com a Federación de Trabajadores de la Ensenanza (FETE/UGT), que termina hoje. Na opinião de João Dias da Silva, esta medida «pode fazer com que seja corrigido o desrespeito pela autoridade do professor que neste momento vigora em Portugal».

A proposta vai ser formalizada pela federação sindical no sábado, na reunião do seu secretariado nacional, sendo depois enviada para o Ministério da Educação, «com carácter de urgência». Contudo, no final do ano passado, esta reivindicação já tinha sido apresentada informalmente à ministra Maria de Lurdes Rodrigues que, segundo o secretário-geral da FNE, na altura não a acolheu.

A tipificação das agressões a docentes como crime público foi também defendida em 2002 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), um órgão consultivo do Ministério da Educação que congrega representantes dos pais, professores, partidos políticos, autarquias e estudantes.

Os últimos dois casos de violência foram registados no Porto. Na terça-feira um professor da escola básica do 1º ciclo de Campinas foi agredido pelo avô de um aluno numa aula de desporto, inserida nas actividades de enriquecimento curricular disponibilizadas no prolongamento de horário das escolas da antiga primária, entre as 15:30 e as 17:30. A PSP foi chamada ao local e tomou conta da ocorrência - tendo já sido aberto um inquérito por parte do gabinete de segurança da Direcção Regional de Educação do Norte – e o professor teve de ser assistido no Hospital de Matosinhos com lesões na face.

Já segunda-feira, também uma professora primária foi agredida pela mãe de uma aluna, com murros, pontapés e puxões de cabelo, à porta da escola onde lecciona, no bairro do Cerco, no Porto. A docente estava a sair da escola quando sofreu a agressão que, diz, lhe provocou «escoriações na cara e na região lombar» e sequelas«psicológica graves». A docente confirmou ir apresentar uma queixa-crime contra a mãe da aluna mas com receio de represálias a docente ainda não decidiu se vai voltar a dar aulas, para já.

A directora regional de educação do Norte, Margarida Moreira, já considerou «inaceitáveis» estas agressões reclamando uma «punição exemplar» para os seus autores de modo a que as pessoas percebam que não podem ter este tipo de comportamentos.

«Não é aceitável que este tipo de situações aconteçam, é inqualificável o que sucedeu», frisou, acrescentando em declarações à Agência Lusa, que a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) já se assegurou de que «não existe nenhuma situação de risco acrescido nas duas escolas». Segundo a directora regional, a agressão a professores «não é um problema frequente» nas escolas do Porto, mas sublinha que «cada caso de agressão é sempre um caso a mais que não deveria ter ocorrido».

«As pessoas não podem fazer estas coisas. Se os mais velhos desrespeitam a figura do professor não estão a dar um bom exemplo aos mais novos e não lhes podem exigir que respeitem os professores», considerou ainda Margarida Moreira.

Neste sentido, ainda ontem o secretário-geral da FNE, lamentou que a Ministra da Educação ainda não tivesse tido uma palavra de solidariedade com os professores. No entender de João Dias da Silva o Ministério da Educação não pode ignorar que «existe um problema em crescendo» e que é necessária a intervenção da Ministra no sentido de «mostrar respeito pelos professores».

Sobre o Observatório de Segurança Escolar a FNE lamenta que este não tenha a presença de qualquer órgão sindical representativo da comunidade docente e não docente e face aos dados divulgados João Dias da Silva afirma que é preciso «exigir medidas do Ministério da Educação» e que estas devem ser tomadas em parceria com os órgãos sindicais. Sublinhado que «é sempre necessário o apoio do Estado», João Dias da silva sugere que, tal como tem sido feito em Espanha, seja criado um plano conjunto e se dê formação específica a docentes e não docentes para estarem preparados para resolver, e evitar, os problemas de violência, e que exista uma estreita colaboração entre entidades regionais, famílias e professores que sublinhem a autoridade dos docentes.

Além destas medidas, e tendo em consideração a experiência Espanhola apresentada pela FETE durante a Cimeira, o secretário geral da FNE sugere «um observatório mais alargado» que analise os casos de violência, perceba as suas causas e apresente propostas de soluções.

No ano lectivo 2005/06 registaram-se 390 agressões contra professores dentro e nos acessos dos estabelecimentos de ensino, 207 agressões contra alunos e um total de 766 relatos de injúrias contra funcionários, segundo números divulgados terça-feira no Parlamento pelo coordenador do Observatório de Segurança Escolar, João Sebastião.
No total, registaram-se 3.523 ocorrências contra pessoas, às quais se juntam ainda 1.768 acções contra o património - roubo de bens de alunos, professores, funcionários e equipamentos, só nos estabelecimentos de ensino sob alçada das direcções regionais de educação do Norte e Lisboa.